Coxão mole

Preciso fazer ginástica. Desesperadamente em busca da barriguinha sarada perdida (quem vê pensa que algum dia eu tive uma...). Hoje sonhei que minhas coxas pareciam pula-pula de criança: qualquer brisa as faziam tremelicar mais que gelatina mole. No sonho, minha barriga também caia por cima do cós da calça, soterrando o botão. Acordei em pânico, suada, e fui direto pro espelho do banheiro e só fiquei tranquila quando vi que meus braços não parecem bexigas murchas. Ufa.

Mas a questão é a seguinte: preciso fazer ginástica e odeio. Odeio. Não é aquele ódio reservado às partidas de futebol de quarta (e quem vivem azarando meus jantares), por exemplo. Não. É  ódio daqueles que se tem de ex-mulher ou calça 38. Forte, encorpado, poderoso. Academia é meu maior pesadelo. Fazer esteira me faz sentir um hamnster (sei lá como escreve isso). Ver aqueles caras com peito de chester e perna de galinha puxando ferro me dá ganas de rir, não tem jeito: não consigo achar sexy homem que tem o pescoço do diâmetro de uma boca de bueiro. Daí eu saio da academia, depois de ter pago o plano semestral, e só volto dois anos depois, com a renovada e ingênua disposição "agora vai!". Vai o catso, que vai. Sei que nem chuchu refogado é menos atraente do que aula de step. Nem Fernet é tão horroroso quanto a cara do povo se matando no spinning.

Parece que o negócio vai ser ficar amiga da gravidade e torcer pra medicina estética se aperfeiçoar porque, se depender do meu ânimo, minha bunda vai mesmo tomar a consistência de um flan aguado.



Escrito por Mulher honesta às 18h25

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