Mulher só sabe escrever sobre macho e celulite

Aran, meu ex-chefinho e  grande amigo (diretor da revista Sexy e revoltado autor do site www.sitedoaran.com.br) notou, com um tanto de escárnio, que mulher só sabe falar (e escrever) sobre homem e celulite. Diz ele que homem escreve Odisséia, Em Busca do Tempo Perdido, O Eu profundo e outros eus, e mulher só fica no ramo da aula de etiqueta, receita, como mexer direito no clitóris e Bridget Jones stuffs. Eu, claro, fiquei meio puta com esse comentário porque não gostaria de me ver como uma mulherzinha patética que vive imersa em chapinha no cabelo, esmalte de unhas, aumento de peitos e perda de arrobas (se bem que esse último quesito sempre ronda minha cabeça). Então parei pra pensar no grau de veracidade desse papo e uma luz desceu sobre mim. Algumas, na verdade.

  1. Homem só teve tempo de escrever sobre temas tão elevados porque, nesses milênios até então, nós ficamos descascando batata, lavando fralda e aguentando os cidadãos peidarem e arrotarem na sala. Mas se, em menos de 50 anos, já ocupamos mais de metade do mercado de trabalho, inclusive como chefes deles, daqui há 20 anos eles estarão fazendo nossas unhas nos salões de beleza, lavando nossa salada na cozinha e conversando com o empregado da vizinha sobre a novela das oito.

  2. Homem só escreve sobre temas tão elevados porque não pega bem sair por aí falando sobre as (várias) vezes que o pau não subiu, ou subiu e desceu rápido demais.

  3. Homem só escreve sobre temas tão elevados porque pega mal alimentar-se culturalmente só de mesa-redonda, mesa de chope e mesa de sinuca.

  4. E finalmente, homem só escreve sobre temas tão elevados pra impressionar, ficar com fama de intelectual e comer mulher. Ou ser comido por alguém.

Sendo assim, dá pra desculpar as coitadas que escrevem sobre homem e celulite porque, na escala de evolução, elas não estão muito atrás dos seres que, mesmo depois dos quarenta anos, chamam os amigos de "Cabelo, Pipoca ou Picão"; que divertem-se com comédias onde a cena mais intelectual é o cara prendendo o pau no zíper e lotam sites pornô bagaceira e, nas altas horas da madruga, o mais inteligente que conseguem fazer é pensar com os testículos e coordenar os movimentos manuais para homenagear as divas oxigenadas e siliconadas do monitor que, possivelmente, já publicaram livros sobre homens e celulite.

Placar final: empate. No final das contas, somos todos uns babacas ( só que em graduações diferentes: alguns passam desapercebidos, outros publicam livros pra provar...).



Escrito por Mulher honesta às 11h47

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Email antigo a um amigo crédulo, que deu origem a uma crônica publicada há tempos

"Esse papo de Jesus é lindo, mas não cola comigo. Desculpe, mas minha religiosidade passa por outros ângulos. Minha religiosidade admite que só exista a luz por causa da sombra e, antes de serem incompatíveis, são inseparáveis.

Não gosto de idéias maniqueístas sobre seres completamente bons ou maus. Sabe qual a minha carta preferida do Tarot? O Diabo. Porque ele é algo no qual as pessoas nunca chegarão a um acordo, assim como Deus. Mas ao contrário desse, ele fica mais poderoso à medida que o tumulto à sua volta cresce.

O Diabo faz as pessoas pensarem, viverem, temerem. Não acredito no cara de rabo e tridente, mas sim no nosso diabo interno que nos faz andar para frente. Sem as dualidades a vida seria um pé no saco, marasmo sem fim. Daí entra Deus. Deus é nossa vontade de confiar, ter estabilidade, dormir na rede como ventinho batendo no rosto. Deus é a calma, o equilíbrio que sempre buscamos por ser maravilhoso. Mas que não saberíamos ser maravilhoso se não conhecêssemos o oposto. A felicidade só existe porque a infelicidade ronda.

Você já deve ter lido Gibran Khalil. Num de seus contos, ele narra o encontro de um padre com o Diabo. "O padre aproximou-se e inclinou-se sobre o moribundo e viu uma face estranha, na qual se misturavam a inteligência e a astúcia, a fealdade e a beleza. O padre soltou um grito terrível e bradou, trêmulo: "Deus me revelou tua face infernal para alimentar meu ódio por ti. Sê maldito até o fim dos tempos!"O demônio respondeu com certa impaciência: "Não sabes o que dizes, e não calculas o mal que cometes contra ti mesmo. Eu fui e continuo a ser a causa de teu bem estar e de tua felicidade. Não foi minha existência a justificação da profissão que escolheste e meu nome, o lema de tua vida?"

Pois é: acredito em Deus, rezo e, do meu jeito, tenho muita fé. Mas creio que vivemos essa dimensão divina muito mais interiormente e acredito no Diabo também. Nessas "tentações" que se interpõe em nosso caminho para nos mostrar o que é realmente importante. Como C., por exemplo. Deus, na minha concepção, é tão importante quanto o Diabo.

Por isso não nego minhas dualidades. Por isso acho que traição e amor podem coexistir. Por isso temo destruir meu relacionamento mas ao mesmo tempo me aproximo do que deveria me afastar. Não posso ser só metade de mim, F.. Mas é claro que ser inteira dá mais trabalho, causa mais lágrimas—e dá mais alegrias também.

Adorei sua analogia de C. com Satanás. É bem verdadeira. Ele fode tudo por onde passa mas mesmo assim continua sendo sedutor. Mas ele não é Satanás, é só um humano com personalidade fronteiriça, sem semancol nem culpa, sem apego. Só. E realmente tenho amargas lembranças dele e também ele foi (não sei até que ponto ainda é) muito importante. Ambas as coisas. Não existe ninguém ruim, só ruim pra mim. Ele pode ser ótimo pra alguém que tenha as mesmas expectativas de vida dele, mas não sou essa pessoa. Mas me sinto atraída por ele.

Não sei se Jesus ajudaria nisso. Aliás, acho que tenho uma ótima relação com Jesus, se você quer saber. Mas não creio que a simples introjeção desse conceito divino possa, de alguma maneira, me livrar de problemas cotidianos. E nem quero me livrar! São eles que me mantém viva. Quero a paz de um relacionamento bom, alegre, feliz e também quero os frios na barriga, as surpresas. Posso ser louca, mas acho que sou normal até demais; só tenho mais consciência das minhas discrepâncias.

Mesmo assim, obrigada pela ajuda.

 Fique com Deus"



Escrito por Mulher honesta às 18h23

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Conto da semana

 "Não quero casar. A idéia pode até ter passado por perto de mim enquanto me encontrava sob o efeito do conteúdo frutoso e bordô das minhas garrafas de Merlot, dos beijos de línguas enroladas e juras de amor, mas assim que minha cabeça volta a funcionar, mecanismo azeitado, casamento se torna tão desejável quanto quilos a mais. No fim, dão na mesma: abaixam gradualmente a auto-estima, sobrecarregam o coração, irritam, geram uma revolta indefectível e acabam por travar a coluna.(...)"

Leia o resto desse conto clicando no link ao lado.



Escrito por Mulher honesta às 15h02

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Crânio esmagado

O rotavírus (aquele escroto vírus mutante da gripe) me pegou de jeito. Desde quinta feira estou de cama. Parece que fui pisoteada na cabeça por um elefante obeso-- dói pacas. ALém disso, existe uma agradável sensação física que inclui uma eterna vontade de vomitar, uma puta dor no pescoço e, quanto levanto pra fazer coisas que ninguém pode fazer por mim, tontura. Uma verdadeira delícia.

Mas o pior de ficar doente não é nem o corpo doído ou o cansaço constante. O pior de ficar doente é absoluta inaptidão pra fazer qualquer coisa. É extremamente irritante não conseguir nem falar ao telefone sem parecer que um bugio está gritando do outro lado e perfurando o meu tímpano. Nem sair pra comprar ração pras gatas sem parecer que, a qualquer momento, vou desmaiar e tacar a cabeça no volante. Realmente não tenho vocação pra esse negócio de ficar dodoizinha e ficar sendo paparicada feito criança mimada. MAs o que mais me irrita nesse lance do maldito rotavírus é mesmo não poder beber. Como vou sobreviver a sete noites de frio sem meus amigos Merlots, Carmenére, Pinot Noir e Tempranillo? Como?!



Escrito por Mulher honesta às 10h36

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