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Mariquinha Existem muitas coisas irritantes no mundo: farol vermelho quando estamos com pressa, lugar vago só na primeira fila do cinema, mandar email pra pessoa errada... Mas a vida seria bem monótona se não enfrentássemos contratempos—são eles que detém os petulantes e dão tempo para respirar aos desesperados. Irritar e ser irritado faz parte. Mas duas coisas são, para mim, odiosas, dignas de ira e vontade de descer o braço: preconceito e moralismo. Ambos são demonstrações explícitas de um sentimento de inferioridade e inadequação, a catarse de pessoas covardes demais para lidar com o diferente e preguiçosas (ou burras) demais para tentar entender a gama incrível de coisas e escolhas que existe fora do seu mundo umbigocentrado. Gente prepotente com cara de "Ai, meu Deus, esse mundo está perdido". Hoje ouvi um daqueles comentários: "Ah, mas não dá pra confiar em veado". Como assim?!É tão absurdo, quase inacreditável, que alguém realmente creia que o que o outro cidadão faz com as reentrâncias do seu corpo tenha algo a ver com a integridade desse ser, com seu valor intrínseco— o que muda se meus amigos transam com cenouras, homens ou mulheres? Eles deixam de ser companheiros, confiáveis e amorosos por beijarem pessoas do mesmo sexo? Se existem tantas opções no mundo, é para as pessoas escolherem, oras. Você pode não gostar, mas certamente não está em condição de julgar, por um simples motivo: ninguém está. Fulana dá pra todo mundo? Sicrano não liga pro filho? Beltrano vive às custas do pai? Ziguifrido é preguiçoso? Elisbela fez um aborto? Problema deles. No fim das contas, cada um é que tem que lidar com a consequência de suas escolhas. Ou a falta delas. Só quem se queimou sabe como o fogo pode ser assustador—mas quem está de fora, vai adorar chamá-lo de maricas. Escrito por Mulher honesta às 17h36 [ ] [envie esta mensagem ] |