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E aí, tem jeito? Homem não sabe mais cantar mulher. Sei lá se isso é culpa do excesso de praticidade da época na qual vivemos ou se é inaptidão pura, o fato é que aquelas deliciosas meia palavras, intenções sabidas e não explicitadas, o cuidado de criar algo interessante pra ser dito e feito estão mais raros de se encontrar do que corvo albino. Tá tudo muito pá-pum: conheceu, elogiou a bunda ou a boca (depende do nível do cidadão) e já vai botando a mão. Putz, coisa tosca! Mulher não é mamão pra se escolher apalpando. Que tristeza sentiria Vinícius de Moraes se visse os marmanjos de hoje em dia... em vez de Garota de Ipanema, A Popozuda. De “Teu corpo dourado é mais que um poema, é a coisa mais linda que já vi passar” pra “Bate na palma da mão, bate na palma da mão e rebola o popozão”. Uma desgraça completa. Escrito por Mulher honesta às 17h00 [ ] [envie esta mensagem ] |
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Livro Para quem não encontra o livro "A Mulher Honesta" nas bancas, vá nesse link aqui, a Loja Virtual da Abril. É rapidinho.Escrito por Mulher honesta às 15h44 [ ] [envie esta mensagem ] |
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Sugando a banha Outro dia vi aquele programa da MTV, "I want a famous face". Dois irmãos gêmeos queriam ficar com a cara do Brad Pitt- tudo o que conseguiram foi ficar com a cara do Brad Pitt , só que de um desenhado por uma criança de 3 anos. No outro episódio, o sonho da garota era virar a Pamela Anderson. Veja só: ela queria ter a fuça de alguém que já parece um genérico de fêmea produzido em laboratório. Mas, enfim, foi lá, colocou silicone, injetou gordura na boca pra ficar com aquela expressão eterna de tesão de mulher em capa de filme pornô e saiu esfuziante: finalmente não era mais ela mesma. Até onde vai chegar essa falta de amor por si próprio, essa negação de si mesmo? Não existe mais lugar para o imperfeito. Algo nos faz acreditar que se só seremos dignos de atenção, de amor, se tudo em nós for acertado, milimetricamente dimensionado, duro e liso. A mentira das fotos de revista viraram verdade: não importa que aquelas coxas magníficas da fulana e a barriga de tanque do Sicrano foram resultado de horas e horas de correção por computador, o que importa é o que se vê. E isso assusta, porque é meio difícil ficar igual a algo que não existe; a realidade sempre estará aquém do referencial. O bem-estar com o próprio corpo, na próxima lipo. O real esvaziou-se de importância: não interessa se você tem dinheiro, cultura, sucesso. Interessa, isso sim, se aparenta ter. Cada vez mais gente leiloa a individualidade pela aprovação dos outros e se torna um clone fajuto de seres pré-aprovados pela platéia ou uma versão mentirosamente melhorada de si mesmo: por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento. Não vejo problema algum em acertar um nariz torto, levantar peitos caídos. O que me amedronta é essa insanidade que leva a um tipo inédito e estúpido de mutilação, a mutilação pró-fama. O que são dores, anestesia, o período angustiante de recuperação perante a cara de espanto dos amigos, o despeito das amigas, os futuros flashes? Nem para os índios na época do descobrimento o espelho era tão fascinante. Eles trocavam um ouro para ter um pedaço de si refletido. Hoje em dia, troca-se de rosto, de corpo, por elogios, muitas vezes fajutos. Jamais fomos tão carentes de aceitação. Nunca fomos tão egocêntricos. Adoraria perder uns quilos. Chegando aos trinta, seria legal também dar uma levantada no que a gravidade insiste em abaixar. Mas não deixo de me sentir (pelo menos não sempre) interessante, sexy, inteligente, digna de receber carinho e dar amor porque a calça, ocasionalmente, não fecha. Não me acho um lixo porque comprovo diariamente a existência de muita mulher muito mais gostosa que eu—odeio seres que fique bem num biquíni, mas não abdico dos meus prazerosos jantares para poder desfilar com uma tanga enfiada. Gosto de ser quem sou e prezo quem tem a mesma relação consigo mesmo— pobres (e chatas) as pessoas que se odeiam por não atenderem as expectativas alheias. As débeis que vendem até a alma para ter a bocona da Angelina Jolie ou a cintura da Halle Barry deveriam saber que a primeira se divorciou porque o marido transava até com a fruteira, e a segunda vive sozinha porque não controla o próprio ciúme. Ter dimensões e formas idealizadas não livra ninguém da infelicidade—apenas o transforma num infeliz bonito na foto. Uma coisa é certa: seríamos muito mais felizes se investíssemos em terapia o que gastamos sugando banha e esticando a cara. Escrito por Mulher honesta às 10h32 [ ] [envie esta mensagem ] |
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Cachaça das boas Fiquei a semana passada toda em Paraty--- a trabalho, porque as férias acabaram. E é incrível como os anos fazem a cidade e as praias ficarem cada vez mais gostosas e bonitas (a minha preferida é São Gonçalo, a 25 km). Enquanto a primeira está cheia de franceses, italianos, alemães e paulistas abrindo deliciosos restaurantes (como o Banana da Terra), artesãos vendendo trabalhos bonitos, vida noturna digna de Sampa, as areias continuam limpas, vazias e o mar... ah, aquele mar é digno de passar o dia sendo navegado, com o ventinho batendo no rosto. E claro que reservei tempo e energia para provar as pingas da região: Corisco, Coqueiro, Paratiana, Engenhou d´Ouro, etc e tal. Caipirinhas de montão. Eita, que bão! Acho que a matéria sobre Paraty sai nas próximas edições da Viagem e Turismo Escrito por Mulher honesta às 20h47 [ ] [envie esta mensagem ] |