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Alívio imediato Mulher vive com prisão de ventre. Laxantes representam para nós o que revista de sacanagem representa para meninos púberes e berebentos: o único método de aliviar o que a natureza se incumbiu de produzir. A questão é tão grave que, ultimamente, a televisão foi invadida por propagandas de cereais, iogurtes e gororobas que prometem deixar nossa vida no reservado menos traumática. E, vou te contar, intestino feminino é um inferno: saiu de casa, trava. É só comer uma guacamolezinha e... trava. Viajou com o namorado: trava. E daí a pança cresce, nos sentimos umas Dona Juras antes da metamorfose, entupimos e o mau humor se instala. Mas o pior não é ficar com barriga de habitante da Somália, o pior é aguentar os homens perguntando a razão da nossa cara fechada (e, geralmente, amarela). Sabe a razão? Cocô. E vou ser sincera: acho que a culpa pelo funcionamento precário do nosso aparelho digestivo é dos homens. Toda deles. Fomos criadas para jamais soltar pum, ir ao banheiro como se fosse algo mais secreto que os bastidores do PT, deixar cheiro de lavanda depois da nossa passagem e espirrar sem produzir catarro. E eles acreditaram que somos assim! Aos olhos deles, somos uma espécie transgênica de Barbies que não secretam. Repare só: basta a menor menção de uma dor de barriga nossa para que os olhos masculinos se arregalem, como se alertassem a si mesmos, em choque: "Meu Deus, ela caga!". Sim, queridos, nós fazemos cocô. Nós temos catota de nariz, suamos e babamos quando dormimos. Tudo que entra no nosso corpo, sai, igualzinho acontece a vocês. Mas enquanto vocês foram incentivados a fazer campeonato de arroto e descobrir quem peidava mais alto, nós tínhamos que inventar um método do xixi não fazer barulho quando batesse na água. Chega de repressão intestinal! Porque meninas também têm direito aos sagrados e sublimes momentos no vaso sanitário. Escrito por Mulher honesta às 17h05 [ ] [envie esta mensagem ] |