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A essência americana Voltei ontem de Las Vegas e confesso: continuo achando americano meio bocó. Uns cinco ou seis a)perguntaram onde o Brasil fica? na América do Sul?, b) se despediram de mim, na tentativa de serem simpáticos, com um "Muchas Gracias", c) ficaram surpresos por eu não ser negra nem índia e d) estarrecidos, descobriram por mim que não comemos tacos nem tocamos maracas. Mas voltemos a Vegas. A cidade é diversão pura: cassinos, compras pra cacete, montanhas-russas a 103 andares de altura (um tesão, aliás!), milhares de shows (os famosos "peitos de fora" tb, claro), trocentos restaurantes e tal, mas tenho que ser sincera e dizer que algo me incomodou profundamente. Menos pelo fato em si e mais pela razão que o gerou. Vou tentar explicar sem parecer revoltada. Muito bem: numa esquina está a Piazza de San Marco perfeitinha, com gôndolas passeando pelos canais e tudo--- esse é o grande cassino THE VENETIAN. Na outra, um castelo italiano da região italiana dos Alpes (em dimensões jurássicas), o BELLAGIO. Em frente, a Torre Eifel no PARIS-LAS VEGAS. Ao lado, a beleza da arquitetura do oriente médio no ALLADIN. Mais pra frente, você encontra uma pirâmide e a esfinge egípcia no LUXOR. E assim por diante. Eis o que me incomoda: americano é tão ensimesmado, acha de tal forma que tudo o que importa é o seu país que, em vez de sair pro mundo e conhecer outras culturas, arquiteturas, linguas, não, traz tudo pra dentro dos EUA. FAz uma réplica da história das civilizações, um catado, uma sinopse do mundo, como se ler resumo de livro fosse a mesma coisa que compreender o estilo do autor, as idéias por trás das palavras. A imagem que tenho de Las Vegas é o resumo do americano médio: tudo o que existe de interessante no mundo está no quintal deles e, por isso, não existe razão nenhuma pra sair de lá.
Escrito por Ailin Aleixo às 10h29 [ ] [envie esta mensagem ] |